[EtnoData] Participação no projeto de ordenação de informações em etnobotânica

Lucas Zelesco lucaszelesco em outlook.com
Sábado Novembro 16 10:05:10 -03 2024


Bom dia, Eduardo,

Meu nome é Lucas Zelesco, sou historiador (UFRJ) e arquivista (UnB), mestre pelo PPG em História Comparada da UFRJ e atualmente doutorando pelo PPG em Ciência da Informação da UnB, atuando também como servidor da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), trabalhando diretamente com a ordenação e difusão do acervo arquivístico institucional.

Tive contato com o grupo que está pensando a constituição de um vocabulário controlado de etnobotânica por intermédio da pesquisadora Nicky van Luijk, e muito gentilmente recebi um convite da prof.ª Viviane Kruel para participar e, no que for de interesse para o grupo, contribuir com as discussões.

Desenvolvo meu doutorado na área da descrição da informação, dentro da linha de pesquisa "Gestão, tecnologias e organização da informação e do conhecimento", propondo uma taxonomia capaz de representar o universo informacional do indigenismo no Brasil, a partir dos conjuntos documentais produzidos pelo Serviço de Proteção aos Índios (1910-1967) e seu sucessor, a Funai (1967-atual).

Defendo que não é suficiente elencar termos, relacioná-los e assim tecer as redes de relações semânticas que formariam tal universo informacional, pois toda representação da informação é isso, uma representação, sobre a qual a todo momento ocorrem decisões, a partir de vieses mais ou menos claros.
Desse modo, temos que muito facilmente pode-se ofuscar, distorcer ou negar nuances, lutas e visões de mundo daqueles que nomeamos "outros", tudo isso a partir de e por instrumento da suposta "neutralidade" que um vocabulário controlado carrega e é capaz de verificar (i.e., "tornar verdadeiro").

Ainda que as condições pelas quais tais escolhas ocorrem dificilmente mantenham-se evidentes nos diversos tipos de vocabulários controlados (dicionários, tesauros, taxonomias, ontologias e outros), entendo que, em temáticas social e culturalmente sensíveis, tal como a da etnobotânica ou do indigenismo, esse é um cuidado essencial para que a "técnica" não se transforme na condicionante de um dizer-a-respeito que desconsidere a alteridade.

Mais uma vez agradeço o convite, e espero poder aprender bastante com vocês!

Grande abraço,
Lucas Zelesco

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