[EtnoData] refletindo sobre categorias de uso e padrões de dados etnobotânicos para base de dados

Viviane Kruel vivianekruel em gmail.com
Segunda Setembro 23 11:12:20 -03 2024


Bom dia a todos e todas,

Agradeço mais uma vez ao Dalcin por todas as informações e detalhamentos
sobre a importância da criação de vocabulários que:


   - Reflitam a realidade das categorias, práticas e processos relacionados
   ao uso das plantas.
   - Não se limitem a informar se a planta é alimentícia e qual parte
   vegetal é utilizada, mas considerem o contexto mais amplo do conhecimento
   sobre sociobiodiversidade no Brasil

Proponho os seguintes pontos para discussão e avanço no projeto:

1) Participação de especialista:
Seria ótimo contar com um cientista de dados especializado em dicionários e
ontologias para nos apoiar na construção coletiva desse vocabulário.

2) Uso de dicionários com base em fontes oficiais:


   - Sugiro utilizarmos como base para identificar e classificar essas
   comunidades no Brasil.  :
   - o Censo IBGE 2022 -
      -
      https://www.ibge.gov.br/estatisticas/sociais/populacao/22827-censo-demografico-2022.html?edicao=39859&t=resultados

      - DECRETO Nº 6.040, DE 7 DE FEVEREIRO DE 2007 - em:
   https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2007/Decreto/D6040.htm
   - *DECRETO Nº 8.750, DE 9 DE MAIO DE 2016* - neste decreto há uma lista
   no  § 2º Os representantes da sociedade civil  - em:
   https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2016/decreto/d8750.htm
   (que define Povos Indígenas e Comunidades Tradicionais)
   - DECRETO Nº 12.128, DE 1º DE AGOSTO DE 2024 - que institui o Plano
   Nacional de Políticas para Povos Ciganos (inclusão e reconhecimento do povo
   cigano no país) - em:
   https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2023-2026/2024/decreto/d12128.htm


   - Além disso, podemos usar dados do IBGE para elaborar um dicionário das
   línguas faladas no país, enriquecendo nosso vocabulário com a diversidade
   linguística brasileira.

3) Termos para 'nomes de plantas':

Recentemente, discutimos no grupo do JBRJ a adequação do uso do termo*
“nome vernacular”* (considerando que "vernáculo" se refere ao idioma
próprio de uma nação ou região).
Sugerimos utilizar o termo *“nome popular”* para ser mais abrangente e
incluir as diferentes formas regionais de reconhecimento das plantas,
refletindo melhor a diversidade cultural e linguística do Brasil.
Por fim, estamos avançando, mas seria excelente contar com mais
participantes nessa reflexão.

O que acham dessas sugestões? Seria ótimo ter mais opiniões e contribuições!

E mais uma vez, esta lista é aberta a participação, comentários,
colaborações, críticas etc!
Estamos trocando ideias e alinhando perspectivas, buscando um processo
colaborativo!

Fiquem a vontade!

Atenciosamente,

[image: photo]
Viviane Stern da Fonseca-Kruel
Pesquisadora em Etnobotânica |
Curadora da Coleção Temática de Plantas Medicinais
vfonseca em jbrj.gov.br | vivianekruel em gmail.com

Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do RJ
Rua Pacheco Leão 915 - Sl.405 - Rio de Janeiro - Brasil
CEP 22460030
www.researchgate.net/profile/Viviane_Fonseca-Kruel
Instagram: @etnobotanicajbrj




Em seg., 23 de set. de 2024 às 09:05, Eduardo Couto Dalcin <
edalcin em jbrj.gov.br> escreveu:

> Bom dia a todos!
>
> Agradeço a Viviane a provocação. Abaixo seguem algumas considerações.
>
>    - Creio ser muito interessante a proposta de desenvolver um {padrão de
>    dados, vocabulário, conjunto de termos e suas definições, etc.} que reflita
>    adequadamente "os dados etnobotânicos coletados em comunidades no Brasil e,
>    de forma mais ampla, no Sul Global", conforme citado por Viviane. Este é um
>    dos objetivos deste grupo
>    <https://listas.rnp.br/mailman/listinfo/etnodata>, e deste repositório
>    <https://github.com/edalcin/Estrutura-de-Dados-Etnobotanicos/tree/main>
>    ;
>    - Estou entendendo que esta proposta aborda, em uma forma integrada, o
>    que estamos chamando de useTo
>    <https://github.com/edalcin/Estrutura-de-Dados-Etnobotanicos/blob/main/dicionarios/useTo.md>
>    e useForm
>    <https://github.com/edalcin/Estrutura-de-Dados-Etnobotanicos/blob/main/dicionarios/useForm.md>.
>    Porém, usando como fonte referência com a que foi compartilhada, e um foco
>    mais "êmico";
>    - Passando as vistas no documento encaminhado, penso que estamos
>    adentrando uma área mais abrangente e complexa, tangenciando questões
>    linguísticas (campos léxicos e semânticos, por exemplo) e mesmo de ciência
>    da informação (vocabulários, tesauros e ontologias), que temos uma
>    oportunidade, como grupo, de encaminhar;
>    - Temos uma iniciativa de organizar um vocabulário controlado com
>    termos sobre biodiversidade, suas relações e definições, em uma ferramenta
>    bem interessante e largamente adotada para construção e gestão de
>    vocabulários, o TemaTres <https://vocabularyserver.com/web/>. Aqui
>    está a ferramenta com termos utilizados em alguns de nossos bancos de
>    dados: https://vocab.jbrj.gov.br/
>    - Minha impressão é que estamos tratando, na verdade, de um
>    "Vocabulário Etnobotânico" e seria muito desejável ter alguém da área da
>    Ciência da Informação com competência na organização de vocabulários e
>    ontologias. Estou copiando este email para o @Washington Segundo
>    <washingtonsegundo em ibict.br> , do IBICT, do Conselho do SiBBr, pois é
>    a primeira pessoa que me vem a cabeça que poderia nos ajudar a pensar e,
>    talvez, encontrar alguém com esta competência que tenha interesse e
>    disponibilidade em colaborar com esta iniciativa;
>    - Deixo a oferta de utilizarmos o https://vocab.jbrj.gov.br/
>    institucional para iniciarmos a construção deste vocabulário, porém,
>    reforço a necessidade de alguém com esta competência para nos auxiliar;
>    - Penso ainda que a proposta dos dicionários useTo e useForm seria uma
>    forma de representação, em uma estrutura "tabular", dos termos que também
>    fariam parte do vocabulário. As abordagens se complementam;
>    - Por fim, em uma estrutura de vocabulário ou tesauro, poderíamos
>    ainda relacionar os termos de abordagem "êmica" com os termos de abordagem
>    "ética", quando couber, possibilitando um conjunto de termos relacionados,
>    quase como uma "Pedra de Roseta", que ajudaria a navegar entre estes dois
>    universos.
>
>
> @Washington Segundo <washingtonsegundo em ibict.br> , podemos agendar um
> papo entre algumas pessoas deste nosso grupo e você, caso tenha interesse e
> disponibilidade.
>
> Abraços à todos.
>
> Dalcin
>
>
>
>
> Em qui., 19 de set. de 2024 às 16:49, Viviane Kruel <
> vivianekruel em gmail.com> escreveu:
>
>> Dalcin e demais colegas, boa tarde!
>>
>> Ontem, o Carlos Coimbra e eu nos reunimos para avançar e refletir sobre o
>> padrão e a estrutura de dados etnobotânicos, especialmente em relação à
>> categoria medicinal e outras possíveis categorias, como as relacionadas a
>> rituais ou cerimônias.
>>
>> Chegamos à conclusão de que a classificação proposta por Cook (1995) não
>> reflete adequadamente os dados etnobotânicos coletados em comunidades no
>> Brasil e, de forma mais ampla, no Sul Global.
>>
>> Nesse sentido, gostaríamos de discutir a possibilidade de desenvolver uma
>> nova proposta para estruturação de dados etnobotânicos que contemple melhor
>> o conhecimento etnobotânico local. Percebemos que as categorias de Cook são
>> muito artificiais, focadas em uma lógica de classificação mais voltada para
>> laboratórios e propriedades farmacológicas.
>>
>> Um dos grandes desafios que enfrentamos na etnobotânica é avançar no
>> processo de categorizar plantas com potencial de uso a partir de uma
>> perspectiva êmica. Em uma reunião anterior com o grupo de Coleções
>> Bioculturais internacional, já havíamos destacado a necessidade de revisar
>> essa abordagem, buscando uma compreensão mais alinhada com o conhecimento
>> tradicional e indígena.
>>
>> Carlos trouxe uma bibliografia interessante que pensei em tabular com a
>> ajuda das orientandas aqui, para que possamos testar essa nova estrutura de
>> dados.
>> Gostaria de conversar sobre como poderíamos avançar nessa questão. Vejo
>> um enorme potencial de inovação para a estrutura de dados em coleções
>> científicas, mas acredito que precisaremos trabalhar em conjunto para que
>> isso se concretize.
>>
>> Encaminharei abaixo o link do livro que mencionei, junto com a
>> diferenciação entre as abordagens êmica e ética:
>>
>> ** Livro -
>> http://brasilianadigital.com.br/brasiliana/colecao/obras/422/medicina-rustica
>> ou pdf em:
>> https://drive.google.com/file/d/1glY6GLuZWeubbg_MaIJOEDkzLZavbPD_/view?usp=sharing
>>
>> Abordagem êmica - Parte do ponto de vista interno da cultura estudada,
>> considerando como os membros da comunidade classificam e utilizam as
>> plantas com base em seu próprio conhecimento tradicional e sistema cultural.
>>
>> Abordagem ética - Refere-se a uma classificação externa, em que o
>> pesquisador utiliza categorias universais ou científicas, independentemente
>> das distinções culturais locais. Muitos estudos integram ambas as
>> abordagens para alcançar uma compreensão mais completa.
>>
>> Fico no aguardo de opiniões e sugestões!
>>
>> Abraços,
>> Viviane
>>
>> [image: photo]
>> Viviane Stern da Fonseca-Kruel
>> Pesquisadora em Etnobotânica |
>> Curadora da Coleção Temática de Plantas Medicinais
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